Ligado à expansão marítima portuguesa, o Mosteiro dos Jerónimos guarda a memória de Vasco da Gama, e Antonella Giancoli explica por que a Benarrivati inclui o monumento nos roteiros por Lisboa

Erguido por iniciativa de D. Manuel I no início do século XVI, o mosteiro de Belém tornou-se uma das principais expressões da arquitetura manuelina e reúne monumentos funerários de Vasco da Gama e Luís de Camões
Às margens do Tejo, em Belém, o Mosteiro dos Jerónimos nasceu diretamente ligado ao período em que Portugal ampliava suas rotas marítimas para África e Ásia. D. Manuel I pediu autorização para construir o complexo ainda em 1496, e as obras começaram no início do século XVI, pouco depois do retorno de Vasco da Gama da primeira viagem marítima portuguesa à Índia.
A relação com as navegações aparece também no financiamento. Parte importante da construção foi custeada pela chamada Vintena da Pimenta, formada por receitas provenientes do comércio português com África e o Oriente. O resultado foi uma fundação real que reuniu religião, poder político e a nova dimensão marítima do reino em uma arquitetura que se tornaria um dos principais exemplos do estilo manuelino.
Antonella Giancoli, da Benarrivati, inclui o Mosteiro dos Jerónimos nos roteiros por Lisboa justamente porque sua história permite compreender Belém para além da paisagem monumental junto ao rio.
Uma arquitetura ligada ao período das navegações
O projeto inicial foi conduzido por Diogo de Boitaca e continuado por mestres como João de Castilho e Diogo de Torralva. Na igreja, no claustro e nos portais, elementos do gótico tardio convivem com referências renascentistas e uma ornamentação marcada por símbolos religiosos, régios e naturalistas associados ao universo manuelino.
Na Igreja de Santa Maria de Belém, João de Castilho desenvolveu uma igreja-salão em que altas colunas sustentam uma ampla cobertura abobadada e mantêm a percepção do interior praticamente unificada. O transepto chama atenção pela dimensão da abóbada, construída sem colunas de apoio no centro do espaço.
O mosteiro também tinha uma função diretamente ligada aos navegadores. A Ordem de São Jerónimo foi instalada ali, entre outros motivos, para prestar assistência espiritual aos homens que partiam da região do Restelo em viagens marítimas.
Vasco da Gama e Camões dentro da mesma igreja
No subcoro da igreja estão os monumentos funerários de Vasco da Gama e Luís de Camões, realizados no século XIX. A proximidade reúne duas figuras inseparáveis da narrativa portuguesa sobre as navegações: o comandante da expedição que chegou à Índia por via marítima em 1498 e o poeta que transformou essa viagem em matéria literária em Os Lusíadas.
Na capela-mor estão também os túmulos de D. Manuel I e D. João III, acompanhados pelas respectivas rainhas, reforçando o caráter dinástico de um monumento que nasceu como fundação da monarquia portuguesa.
Por que a Benarrivati inclui o monumento no roteiro português
Para Antonella, o interesse dos Jerónimos está justamente na possibilidade de relacionar arquitetura, monarquia, religião e navegação dentro de um único monumento.
“O Mosteiro dos Jerónimos ajuda a entender como as viagens marítimas transformaram Portugal também em terra. A riqueza da arquitetura, a presença de Vasco da Gama e Camões e a própria localização em Belém permitem conectar acontecimentos que muitas vezes aparecem separados nos livros de história. Quando essas relações ficam claras, a visita deixa de ser apenas contemplação de um edifício monumental”, explica Antonella Giancoli.
Essa leitura também evita reduzir o mosteiro à ideia de que teria sido construído apenas para celebrar uma única viagem. A fundação de D. Manuel I tinha objetivos religiosos e dinásticos mais amplos e estava ligada ao momento de expansão marítima vivido pelo reino. A tradição de Belém, por sua vez, associa a área à partida dos navegadores que seguiam pelo Tejo em direção ao Atlântico.
Um monumento que atravessou a história de Lisboa
O Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém foram inscritos conjuntamente na lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 1983. Para a organização, o complexo representa de forma particularmente expressiva o poder alcançado por Portugal durante a Era das Navegações.
Nos roteiros da Benarrivati, a passagem pelos Jerónimos acrescenta à visita de Lisboa um capítulo em que a história marítima deixa de estar apenas nos mapas e nas narrativas de viagem e aparece materializada na arquitetura, na escultura e nos personagens preservados dentro do próprio monumento.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.




