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A armadilha do recomeço na segunda: como a mentalidade de reinício perpétuo impede qualquer mudança real?

Se existe uma frase que Lucas Peralles, fundador do Método LP, já ouviu centenas de vezes em consultório ao longo de seus anos de experiência, é esta: “na semana que vem eu começo de verdade.” Às vezes é segunda-feira. Às vezes é depois do aniversário, depois das férias, depois do fim do mês. O recomeço vira um horizonte que se move sempre um pouco à frente, nunca alcançável, sempre prometido. E, enquanto isso, nada muda.

O curioso é que quem vive esse ciclo raramente percebe que está preso nele, porque cada recomeço prometido carrega uma sensação genuína de intenção. Afinal, parece planejamento, parece responsabilidade, mas na prática funciona como válvula de escape: adia a ação sem gerar culpa imediata e garante que a mudança continue existindo como promessa em vez de processo.

O recomeço como ilusão de controle

A mentalidade de reinício tem uma lógica psicológica sedutora: ela oferece a sensação de que uma versão melhor está a caminho, de que o problema atual é temporário e que basta um ponto de partida limpo para tudo funcionar. O problema é que essa sensação substitui a ação. Quem está esperando a segunda-feira para começar não está descansando. Está adiando a responsabilidade com um prazo que sempre pode ser renovado.

Para Lucas Peralles, nutricionista esportivo e criador do Método LP, essa é uma das formas mais sofisticadas de autossabotagem: parece planejamento, parece intenção, mas, na prática, é um mecanismo de evitação com data de validade infinita.

O que o recomeço revela sobre a relação com o processo?

A necessidade de um recomeço constante quase sempre indica que o protocolo anterior era incompatível com a vida real da pessoa. Por isso, planos muito rígidos, metas irreais, restrições que não cabem na rotina, garantem que o primeiro desvio vai acontecer, seja interpretado como falha total e não como parte natural de qualquer processo humano.

Lucas Peralles
Lucas Peralles

O especialista em comportamento alimentar Lucas Peralles, por trás do Método LP, estruturou sua abordagem para eliminar essa lógica de tudo ou nada. Afinal, o processo não reinicia porque não para; o que existe é um fluxo contínuo de ajustes, não ciclos de início e abandono. Por isso, uma semana difícil não apaga as semanas anteriores. Um fim de semana fora do protocolo não exige um novo começo na segunda.

A diferença entre pausa e abandono

Toda rotina enfrenta períodos de menor consistência, sejam por viagens, doenças, eventos ou crises pessoais. Afinal, a vida real não é linear, e nenhum processo de mudança de hábito deveria exigir que fosse. Segundo Lucas Peralles, em vez de propor uma perfeição irreal, o Método LP desenvolve no paciente a capacidade de distinguir uma simples pausa de um abandono definitivo, ensinando-o a retomar o fluxo sem o velho ritual do recomeço.

Isso exige uma habilidade específica que a referência em nutrição esportiva em São Paulo chama de correção de rota: a capacidade de perceber o desvio e ajustar o comportamento nas próximas 24 a 72 horas, sem culpa, sem compensação extrema e sem a necessidade de um novo ponto de partida simbólico.

Começar de onde está, não de onde imagina que deveria estar

Em suma, como conclui Lucas Peralles, a mudança real não começa na segunda. Mas começa no momento em que a pessoa para de esperar as condições ideais e age com o que tem agora. Essa é uma das primeiras reorientações que o Método LP provoca: o processo não precisa de um começo perfeito. Precisa de continuidade imperfeita, consistente e honesta com a realidade de quem está vivendo.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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