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Recorde de adesões ao consórcio: Tiago Oliva Schietti explica qual a solução inteligente, mesmo com juros altos

Por que o consórcio bateu recorde de adesões mesmo em um cenário de crédito caro? Tiago Oliva Schietti, como empresário, aponta que é essa a pergunta que passou a ocupar analistas do setor financeiro em 2025, e esse movimento é um exemplo de como o comportamento do consumidor brasileiro mudou diante dos juros altos.

Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o sistema encerrou 2025 com 12,76 milhões de participantes ativos, o maior volume já registrado, e acumulou um crescimento de 55,4% nos últimos quatro anos, com recordes consecutivos desde 2022. Somente em janeiro, as adesões somaram mais de R$ 43 bilhões em negócios, um avanço de 23,7% sobre o mesmo período do ano anterior. Os números ajudam a explicar por que o consórcio deixou de ser visto como alternativa secundária e passou a competir diretamente com o financiamento tradicional na hora da decisão de compra.

O que muda quando o crédito fica mais caro?

Quando os juros bancários sobem, o custo total de um financiamento aumenta proporcionalmente, já que o valor pago em juros se acumula ao longo do prazo do contrato. O consórcio, por não envolver a concessão imediata de crédito, funciona de forma diferente: o participante paga parcelas para compor um fundo comum, sem incidência de juros, mas com taxa de administração e eventual fundo de reserva embutidos no valor total.

Tiago Oliva Schietti, empresário que acompanha as movimentações do setor de crédito, observa que essa diferença estrutural explica parte do interesse crescente pela modalidade em períodos de aperto monetário. Não se trata de o consórcio ser “mais barato” em todas as situações; isso depende do prazo, da taxa de administração praticada e do momento da contemplação, mas de ele representar uma lógica de custo distinta da do crédito bancário convencional.

Imóveis puxam o crescimento do setor

O segmento imobiliário foi um dos que mais avançaram dentro do sistema de consórcios em 2025, com alta relevante nas vendas de cotas em vários estados. Parte desse movimento está relacionada às mudanças nas regras de financiamento habitacional anunciadas por instituições como a Caixa Econômica Federal, que tornaram o crédito imobiliário tradicional mais restrito para uma parcela dos consumidores. Diante desse cenário, famílias que planejam a compra de um imóvel passaram a considerar o consórcio como parte de uma estratégia de médio prazo, em vez de uma solução para necessidades imediatas.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Esse tipo de decisão exige paciência: diferentemente do financiamento, o consórcio não garante a aquisição do bem em uma data específica, já que a contemplação depende de sorteio ou de lance. Por isso, Tiago Oliva Schietti explica que costuma ser mais indicado para quem já tem um planejamento financeiro de médio a longo prazo, e não para quem precisa do bem com urgência.

Perfil do consumidor também mudou!

Outro ponto observado pela ABAC é a mudança no perfil de quem adere ao consórcio. A entidade destaca que a modalidade passou a ser mais utilizada por jovens profissionais, empreendedores e investidores, muitas vezes combinando o consórcio com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para dar lances ou quitar o saldo devedor. Esse uso combinado de fontes de recursos é um sinal de que o consórcio deixou de ser encarado apenas como forma de comprar um carro ou um imóvel e passou a ser tratado como peça de um planejamento financeiro mais amplo.

Dessa maneira, essa mudança de comportamento é o dado mais relevante por trás dos números de crescimento: mais do que uma alternativa de compra, o consórcio vem sendo incorporado à forma como parte dos brasileiros organiza suas finanças a médio prazo.

O que considerar antes de aderir?

O crescimento do setor não elimina a necessidade de análise individual. Antes de assumir uma cota, é recomendável observar:

  • o valor total da taxa de administração e como ela é cobrada ao longo do grupo;
  • a existência de fundo de reserva e sua finalidade;
  • o prazo do grupo e a probabilidade real de contemplação nesse período;
  • se o bem ou serviço pretendido realmente se encaixa em um planejamento de médio prazo.

Por fim, Tiago Oliva Schietti sintetiza que decisões de crédito e planejamento financeiro devem sempre passar por uma análise individualizada, considerando a situação patrimonial e os objetivos de cada pessoa, e não apenas o desempenho geral do mercado. Consultar profissionais qualificados antes de assumir qualquer compromisso financeiro de longo prazo continua sendo o passo mais importante nesse processo.

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